Primavera

Confinamento - Dia 12

A segunda estação mais bonita do ano chegou (a primeira é o outono) e eu não percebi. Ela chegou timidamente na semana passada, sem alardes ou comemorações. As redes de televisão aqui na França sempre noticiam com empolgação a sua chegada, afinal ela antecede a época mais esperada: o verão. 


Desta vez as notícias se resumem à números de mortos por conta do vírus, número de profissionais da saúde infectados e mortos. A pobre primavera não teve vez. Isso é totalmente entendível, estamos vivendo uma pandemia e agora deveremos nos focar em como sobreviver e lutar para que, quem amamos, também sobreviva.

Eu deveria ter percebido a chegada da primavera, já que há semanas estou com coriza, tendo ataques de espirros e me sentindo mais cansada. Porém, em vez de pensar na época mais florida do ano, pensei pudesse ser um resfriado. Dona Primavera sempre avisa que está chegando, não somente os alérgicos como eu, mas também os outros, através de suas cerejeiras deslumbrante, flores do campo, azaleias coloridas, pássaros cantando alegremente nas manhãs frias, pessoas caminhando nas ruas e parques lotados. 

É compreensível que eu não tenha percebido nada. Fora os sintomas chatos da minha alergia, não consegui apreciar nenhuma cerejeira na rua, ou flores nos jardins da vizinhança. Cheguei a ver algumas árvores pomposas quando fui ao supermercado, mas a pressa era tanta de voltar para o meu cafofo que não agradeci a oportunidade de vivenciar a natureza renascendo. 

O que mais será que eu estou deixando de apreciar por conta desse confinamento mental e físico. Hoje uma amiga me enviou uma foto linda das flores que nasceram no seu jardim. Na mesma hora, sentada no sofá, observo uma pequena aranha no canto da minha sala. Sim, a primavera chegou e está nos mostrando que podemos sair dessa situação renovados, melhores que antes assim como a natureza que renasce a cada fim de inverno. 

Confesso que chorei de emoção. Fiquei filosofando na minha mente inquieta que, mesmo se toda a população da terra morrer, a natureza com sua força divina vai continuar. Ela independe de nós, somos nós que dependemos dela. Vamos estudar como ela faz para ressurgir e vamos fazer o mesmo. Dias melhores virão. 

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